O SABER NO SAGRADO
A APRENDIZAGEM DOS OGÃS E
OS TAMBORES NO CANDOMBLÉ
Átila Ramirez da Silva
Marcio Mendes
Neste e-book, o leitor é convidado a mergulhar no universo das religiões de matriz africana, com foco especial no candomblé, explorando a importância dos tambores e do papel multifacetado do ogã. Através de pesquisas acadêmicas e entrevistas com membros de terreiros, a obra revela como esses elementos sagrados conectam os praticantes aos Orixás e sustentam a tradição oral, abordando também temas atuais como a presença feminina nos tambores e os desafios da intolerância religiosa.
Autores

Átila Silva
Violeiro, pedagogo e doutorando em Educação, com formação em música popular brasileira e experiência em educação e produção cultural. Atua em projetos voltados à viola caipira e viola machete, com participações em editais culturais e festivais. Desenvolve trabalhos que conectam educação, cultura popular e processos formativos, além de produzir documentários sobre tradição e memória cultural.

Márcio Mendes
Artista e educador natural de Osasco/SP, Márcio atua na interseção entre arte, ancestralidade e educação, conectando música, contação de histórias e brincadeiras. Fundador da Brincandrum – Cultivo da Infância, possui formação técnica em sonoplastia e atuação cênica pelo SENAC e SP Escola de Teatro. Trabalha com música eletrônica, percussão e teve sua iniciação musical e espiritual no terreiro da avó/mãe Nelcina, mantendo diálogo com a cena cultural periférica e processos formativos para crianças e jovens.
Colaboradores
Mãe Emanuele
Iyálorixá (mãe de santo) do terreiro Nzo Nsumbo Tambula Dikoua Meiã Ndanda’Lunda, atua como zeladora dos saberes ancestrais, com forte dedicação à formação espiritual e comunitária. Defende a vivência diária no terreiro como base essencial para o aprendizado, destacando a importância da oralidade, da hierarquia e do cuidado coletivo.
Mãe Biu
Iyálorixá (mãe de santo) do terreiro Unzo Mucumbogirê Dya Nzambi, Mãe Biu traz em sua trajetória uma história de transformação espiritual, resistência e afeto. É reconhecida pelo papel educativo e organizativo que exerce em sua comunidade, articulando saberes tradicionais com práticas de acolhimento e partilha.
Mestre Malaka (Ivanildo de Oxóssi)
Ogã de corte do Candomblé Angola. Valoriza o rigor e a dedicação no processo de formação dentro do terreiro, especialmente através do aprendizado no roncó. É guardião de práticas que unem espiritualidade, técnica e respeito à ancestralidade.
Mestre Moa (Moacir José da Rocha Simplício)
Ogã, educador e pesquisador com atuação na área de arte e cultura afro-brasileira. É mestre em Arte Educação e destaca a importância da escuta, da memória afetiva e da ancestralidade na formação dos ogãs. Seu trabalho enfatiza o tambor como canal de resistência e espiritualidade.
Iuri Passos (Iuri Ricardo Passos de Barros)
Alabê e pesquisador, com trajetória ligada ao Terreiro do Gantois. É mestre em música pela UFBA, com enfoque em etnomusicologia e estudos sobre os toques sagrados do Candomblé. Defende o aprendizado vivencial e disciplinado no terreiro, valorizando a oralidade e a hierarquia como caminhos formativos.
Sumário






1. Batuque Inicial: Entrando no Ritmo
1.1 A licença aos Orixás: apresentação do e-book
1.2 Batendo os tambores: contextualização do candomblé
2. Percorrendo os terreiros: um olhar pelas variações do candomblé
2.1 Ketu: origens e tradições
2.2 Jeje: entre danças e encantamentos
2.3 Angola: raízes e ancestralidade
2.4 Caboclo: entre a floresta e o axé
3. Dança dos Orixás: conhecendo as divindades
3.1 O Reino de Oxalá: Origens e Importância
3.2 Os Mistérios de Exu: Guardião dos Terreiros
4. Encontro com os ogãs: os mestres do tambor
4.1 Os segredos do toque: o papel dos ogãs nas cerimônias
4.2 Candomblé e seus toques: a sinergia entre tambores e tradições
4.3 Desafios na formação dos ogãs: reflexões sobre a transmissão e preservação dos ritmos
4.4 O interesse pela música do candomblé e o ogã exercendo a profissão de músico
5. Axé: uma palavra na boca de todos
5.1 Diálogos com os ancestrais: entrevistas e observações
5.2 Compartilhando saberes: ancestralidade e aprendizado
5.3 Desafios e resistências: intolerância religiosa nas comunidades de terreiro
6. Encerramento: celebração das sementes e folhas
6.1 Agradecimentos e reconhecimentos
6.2 Convite para novas jornadas: continuidade e inovação
Processo de criação
“O Saber No Sagrado: A Aprendizagem Dos Ogãs e os Tambores No Candomblé” é um projeto que nasce do desejo de valorizar, registrar e compartilhar as vozes, memórias e ensinamentos de mestres e mestras de saberes tradicionais ligados ao chão da Bahia e de São Paulo — especialmente no diálogo entre religiosidade de matriz africana, música, dança e resistência popular. A ideia do e-book surgiu a partir de vivências e conversas em terreiros, rodas e espaços comunitários, e se materializou ao longo de um processo coletivo que envolveu escuta sensível, pesquisa de campo, entrevistas presenciais e virtuais, e muitos encontros. Ao todo, o projeto levou cerca de 12 meses para ser concluído, entre roteirização, captação, edição e diagramação do conteúdo. Foram entrevistadas figuras fundamentais como Mestre Moa, Mãe Biu, Mãe Emanoele, Mestre Malaca, guardiões(ãs) de tradição e saberes religiosos. Suas palavras, além de informativas, carregam afetos, lutas e espiritualidade, compondo um mosaico de saberes. Este projeto foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural – ProAC, iniciativa de fomento à cultura do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.
FICHA TÉCNICA:
Produção executiva
Pamela Peruzzi e Kátina Sousa
Revisão
Caroline Seixas
Projeto gráfico e diagramação
Amanda Rodrigues
Editoração eletrônica
Adriano Marques